A
reforma do Museu de Arte Moderna (MAM), a Bienal da Bahia 2016 e um Encontro
Internacional de Curadores e Gestores de Espaços Artísticos, foram as pautas discutidas
ontem (23) à tarde no Solar do Unhão, em Salvador, pelo secretário de Cultura
do Estado (SecultBA), Jorge Portugal e o diretor geral do Instituto do
Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC), arquiteto João Carlos. Também presentes,
o diretor do MAM, Marcelo Rezende, diretores e coordenadores estaduais,
arquitetos e engenheiros.
Vinculado
à SecultBA, o IPAC, criado desde 1967, administra hoje museus e outros
equipamentos na capital e interior. Passeio Público, Palácio da Aclamação,
Solar Ferrão, Palacete das Artes, museus dos Humildes, Recôncavo, de Arte da
Bahia, Tempostal, Abelardo Rodrigues, Udo e Parque Castro Alves, são alguns dos
espaços.
NOVO PERFIL de GESTÃO
– O evento
internacional para discutir a gestão de espaços artísticos integra o plano de
mudanças que o IPAC vem propondo para seus museus e equipamentos. “Existe
necessidade de mais diálogo dos museus e espaços multiusos com a sociedade, com
novos segmentos da população e turistas, assim como, com as demandas da
contemporaneidade e com as linguagens artísticas; por isso, os gestores desses
equipamentos devem estar preparados para isso”, explicou o diretor do IPAC. Segundo
João Carlos, gestores, artistas e museólogos locais também serão ouvidos para
formatação do evento. A previsão é acontecer no final do segundo semestre
(2015).
Depois
da reunião, o secretário Jorge Portugal, percorreu as obras de reforma. “Esta é
a mais importante intervenção já realizada no MAM nos últimos 50 anos, desde a
sua criação no início da década de 1960”, relatou o diretor do IPAC. A reforma
resgata parte do projeto que a arquiteta ítalo-brasileira Lina Bo Bardi (1914-1992)
criou para o conjunto histórico do Unhão na década de 1960, onde está o MAM.
Além
de recuperar o casarão, a capela, o galpão e o Parque de Esculturas, a
intervenção resolve problemas de umidade e cria reserva técnica que nunca
existiu. “O MAM dispõe de mais de 1,2 mil obras no seu acervo que hoje estão
sob a guarda do Palacete das Artes; é fundamental termos um espaço para isso”,
disse o diretor do museu, Marcelo Rezende.
A
primeira etapa física-estrutural já foi finalizada. A segunda – a ser realizada
até início de 2016 – contempla climatização e ações técnico-funcionais. Na
primeira, foram investidos R$ 7,5 milhões, com restauração da capela, da
galeria 1 (galpão do cinema e reserva técnica) e a passarela do Parque das
Esculturas. A segunda previsão de R$ 8 milhões para reforma e requalificação de
espaços como o casarão, as oficinas do MAM, a galeria 3, os famosos arcos
criados pelo arquiteto Diógenes Rebouças e o Parque das Esculturas.
Subestação
de energia, reformas de sanitários, vestiários, sala da diretoria e
climatização, completa as ações. Os recursos são do Tesouro estadual. Mais dados
sobre os museus do IPAC no link www.ipac.ba.gov.br/museus. Sobre projetos, programas e obras
do instituto no site www.ipac.ba.gov.br, no facebook Ipacba Patrimônio e no
twitter @ipac_ba.
Box
opcional 1 - HISTÓRIA – O conjunto do Unhão foi construído ao longo de três
séculos (XVII, XVIII e XIX). Embora situado praticamente dentro da cidade, esse
conjunto era um complexo agroindustrial do mesmo gênero dos engenhos de açúcar,
com casa grande, capela e senzala. Seu
extenso cais e armazéns fazem supor que sua função fosse a de recolher e
exportar a produção de engenhos do Recôncavo. O inventário do Visconde da Torre
de Garcia D'Ávila refere-se a um grande alambique ainda funcionando em 1853,
provavelmente com o mel enviado do Recôncavo. Até aquela época o solar só
possuía dois pavimentos e "água furtada em ambas as frentes com três
janelas e duas nos lados laterais". Sua distribuição funcional segue o
esquema vigente em todo o período colonial: térreo, utilizado como serviço; 1º
andar, ocupado pela família; água furtada, utilizada como dormitório de
criados. A planta da capela (1794) é típica das igrejas matrizes e de irmandade
do começo do século XVIII, apresentando, porém, uma particularidade: nave e
capela-mor da mesma largura e altura. Sua fachada rococó tardio deve ser do
século XIX. Terminações das torres inspiradas nas coberturas à Mansard,
semelhante às das igrejas de N. S. do Pilar e Convento do Carmo. (FONTE:
Inventário de Proteção do Acervo Cultural da Bahia – IPAC).
CRONOLOGIA
1584
- Gabriel Soares de Souza doa, por testamento, aos Beneditinos, o terreno em
que se encontra a fonte que perpetuou o seu nome;
1690
- Residia aí o desembargador Pedro de Unhão Castelo Branco.
Em
princípios de 1700 foi comprado por José Pires de Carvalho e Albuquerque, o
velho, que estabeleceu morgado;
1740
- 1ª referência à capela - batizado de uma neta do proprietário;
1757
- O Pe. Manuel de Lima (da Vitória) descreve a capela com fachada para o
poente;
1759
- Salvador Pires de Carvalho e Albuquerque sucede o pai (José) na posse do
morgado. Passa a seguir, a seu filho José Pires de Carvalho Albuquerque (o II),
e deste para o sobrinho e genro, de igual nome, Secretário de Estado, a quem
Vilhena se refere;
1787
- Vistoria da Câmara a uma vala que deveria lançar suas águas no aqueduto que
atravessava a fazenda Unhão;
1794
- A igreja é reedificada. No começo do séc. XIX, a propriedade pertencia a
Antônio Joaquim Pires de Carvalho e Albuquerque, Visconde da T. de Garcia
D'Ávila;
1816
- O suíço Meuron instala fábrica de rapé, que funciona até 1926;
1853
- Morto o Visconde, passa à sua filha casada com Antônio Muniz Barreto de Aragão;
1880
- Ainda se rezava missa na capela;
1917
- É vendida a Clemente Pinto de Oliveira Mendes;
1928
- Passa a Valeriano Porfiro de Souza, que a transformou no trapiche Sta. Luzia.
Seus descendentes venderiam depois para o Estado.
Restaurações
e intervenções realizadas:
1946
- Obras de estabilização, conservação e limpeza;
1959
- O Governo do Estado decide construir a Avenida de Contorno, ligando os
bairros do Comércio e Barra. O IPHAN promove vistoria no local e adverte sobre
os perigos para o conjunto;
1960
- São iniciadas as obras da Avenida do Contorno, cujo projeto previa uma das
pistas passando entre o solar e a capela e a outra destruindo o aqueduto e
fonte, o que provoca reação da imprensa. Arq. Diógenes Rebouças propõe um
traçado alternativo da avenida, ligando o Comércio ao Vale do Canela, que não
interferia no solar;
1962/63
- O conjunto é restaurado pelo Gov. do Estado, para sede do M. de Arte Popular
da Bahia, sendo o projeto elaborado pela arq. Lina Bo Bardi e aprovado pelo
IPHAN. Nesta oportunidade, foi criada escada helicoidal de ligação do 1º com o
2º andar, obra de notável desenho contemporâneo. Na igreja e em alguns
pavilhões foi substituído o reboco por "chapiscado", então em voga,
por influência do Brutalismo.
Fonte: Assessoria de Comunicação – IPAC – em 24.03.2015
Jornalista responsável – Geraldo Moniz (DRT-BA 1498)
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