Uma pequena casa, localizada na
Ladeira do Ferrão, nº6, que dá acesso do Pelourinho para a Baixa dos Sapateiros,
no Centro Histórico de Salvador, será transformada no Centro de Referência Odé Kayodê
em homenagem à Mãe Stella de Oxóssi, Yalorixá do Terreiro Ilê Axé Opó Afonjá.
PROJETOS – Equipe técnica
do IPAC já está realizando vistoria na casa 6 da Ladeira do Ferrão levantando
suas condições físicas e possibilidades para implantação do Centro. “Estivemos
no imóvel com a diretora de Preservação do Patrimônio do IPAC, arquiteta
Etelvina Rebouças, e os técnicos Nonato e Antônio Luiz e o fotógrafo Lázaro
Menezes; o próximo passo são levantamentos prediais, projetos arquitetônicos,
elétrico e hidráulico”, diz o gerente de Patrimônio Imaterial do IPAC, Roberto
Pellegrino. O IPAC é vinculado à Secretaria de Cultura do Estado (SecultBA).
O acervo bibliográfico e imagético do
Centro de Referência Odé Kayodê contará com o Centro de Documentação e Memória
(Cedom) do IPAC, localizado em uma grande casa colonial próxima, na Rua
Gregório de Mattos, nº 29, também no Pelourinho.
EDITAL – O IPAC já
tinha participado de outra ação com o Ilê Axé Opô Afonjá na criação do museu Ilê
Ohum Lalai, que traduzido do yorubá para o português significa ‘casa das coisas
antigas’. Formado por 750 peças e criado em 1981, após visita de Mãe Stella à
Nigéria, o museu do Afonjá venceu um Edital do IPAC em 2013, sendo totalmente
reformado. No último mês de maio o diretor do IPAC o visitou quando verificou
umidade excessiva no local.
“Vamos averiguar como garantir a
integridade desses objetos tão importantes para o Afonjá”, disse. O Centro de
Referência no Pelourinho poderá mostrar a história de vida, lutas, conquistas e
dedicação ao candomblé de Yalorixás baianas, como Mãe Aninha do Afonjá, Mãe
Menininha do Gantois, Mãe Senhora também do Afonjá, Mãe Olga do Alaketu, Mãe
Mirinha do Portão, dentre outras.
Afonjá e Mãe Stella: Fundado em 1910 por Eugênia Anna dos Santos, conhecida como Mãe Aninha,
o Opó Afonjá já foi liderado por Mãe Senhora, em seguida por mãe Ondina e desde
1976 é comandado por Mãe Stella de Oxóssi. Dedicado a Xangô, o candomblé de São
Gonçalo, como também é conhecido, é de rito Ketu, de nação Nagô, descendente do
povo Iorubá e oriundo da região da África, onde hoje são Nigéria, Benin e Togo.
Maria Stella de Azevedo Santos – Iyá Odé Kayodê - nasceu no dia 2 de maio de
1925, na Ladeira do Ferrão, no Pelourinho, em Salvador. Graduou-se em
Enfermagem pela Universidade Federal da Bahia, com especialização em Saúde
Pública, exerceu a profissão durante 30 anos. Foi iniciada no candomblé por Mãe
Senhora, em setembro de 1939, quando tinha apenas 14 anos. Mãe Stella viajou
várias vezes para a África, visando aprofundar os conhecimentos sobre a cultura
yorubá e foi a primeira Yalorixá a escrever livros e artigos sobre sua
religião. Em 2013, a Yalorixá Mãe Stella passou a ocupar o assento de número 33
da Academia de Letras da Bahia, cadeira esta que tem como patrono o poeta
Castro Alves. Mãe Stella é autora de livros como “Meu tempo é agora”, “Òsósi –
O Caçador de Alegrias” e “Epé Laiyé- terra viva”. Em 2009, recebeu o título de
Doutor Honoris Causa da Universidade do Estado da Bahia (UNEB).
Jornalista responsável Geraldo Moniz de Aragão
(DRT-BA nº 1498)
Texto-base: Ully Gomes (estagiária de
jornalismo)
Fonte: Assessoria de Comunicação – IPAC, em 16.06.2015
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